Talvez fosse por te vêr nua na moldura sobre a mesa de cabeçeira . Talvez fosse da embriaguez causada pela garrafa de EA que fui esqueçendo à mercê do palato, mas o que é certo é que a tua memória estava cada vez mais forte à medida que a noite firmava o seu manto no reduto do meu quarto. Sentia o teu cheiro a coito prolongado a escorrer pelas paredes. A luz do teu batôn repousando na almofada violeta onde amparei o teu pescoço de Inverno e a audácia das palavras não ditas, na maré revolta dos lençois de seda preta.
Levantei-me num impulso pulsante com a ansiedade amurada nos fundilhos do ventre. O veículo da minha virilidade, esperava ansioso, como um náufrago em busca de terra firme.
Em frente à janela, observava absorto a desencorajadora presença da escuridão. Lembro-me bem de como não gostavas que te deixasse a sós à noite, quando saía para jogar poker no casino. Tenho medo do escuro, respondias quando inquiria a razão dos teu receios ao que eu devolvia uma gargalhada sardónica. Nunca levei a sério essa suposta fraqueza, pensava que a utilizavas como um argumento tipicamente feminino para procurar conter os meus impulsos libertinos.
Em frente à janela, observava absorto a desencorajadora presença da escuridão. Lembro-me bem de como não gostavas que te deixasse a sós à noite, quando saía para jogar poker no casino. Tenho medo do escuro, respondias quando inquiria a razão dos teu receios ao que eu devolvia uma gargalhada sardónica. Nunca levei a sério essa suposta fraqueza, pensava que a utilizavas como um argumento tipicamente feminino para procurar conter os meus impulsos libertinos.
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