quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

vertigem crónica

Anseio por poder esquecer o que não conheci
todas as palavras e os gestos da ultima estação
vagueio obscuro pela frágil sacidade
como quem nunca faz da esperança absolvição

Das fábulas do vento leva-se o mundo a acreditar
que o amanhã tão perto é a vontade de mudar
sem querer mergulha-se na mentira e na contradição
felizes nos vençemos a cada passo e gesto, esconços
a cada golpe que em si mesmo sangra

sábado, 10 de abril de 2010

quando eu morrer quero ser plantado ao sol
à merçe da chuva e do vento suão
estardeçer no vazio e mergulhar no orvalho
quero a caricia do mundo na palma da mão

do lado de cá do muro onde a verdade esmoreçe
onde a noite é mais longa e a solidão arrefeçe
quero rir como um louco do castigo  da carne
adormecer pouco a pouco na culpa que arde

quando eu me for deste mundo para outro
serei vaga passagem ou um suspiro afoito
um poema vazio em silêncios devassos
quanto a sola das sombras que trago nos passos


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