segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Alice no País das Bananas

Anda esta gente amestrada, induzida a comer, calar e confiar nos rufiões da nação, mascarados de poder para poder fazer a seu belo prazer, o que der mais jeito na parasitária vontade de uma vontade maior. Este país é do caraças! Nação única na capacidade de inventar revoluções florais, no meio termo próprio dos cobardes, comodamente entrincheirados no assim-assim - tudo está bem quando não acaba mal. O povo é sereno, lá dizia o outro. O corno é manso. Assim se vai cantando o fado como quem purga a dormência entranhada, a fazer de conta que se caminha em frente quando, em verdade, se arrasta lado a lado com a delinquência legalizada. Salvo conduto a São Bento, que num país católico é natural e fica bem.
Quando o dono não faz a vontade ao cão - Aqui d'el Rei! - dói muito quando nos roem os ossos com mais fragor. Então é que é falar de justiça, em mesas de café, entre um digestivo e dois dedos de conversa. Apre, que é demais o que para aí se especula. Especula-se de sacos azuis, de compadres e de comadres, do jeito que se deu, aqui e ali, como quem ajeita a mão no bolso. Especula-se a liberdade à vontade do freguês - quem dá mais? - ao saber dos humores daqueles que mandam no grande pátio da indiferença. Especulam-se os direitos e os deveres, mais aqueles do que estes. A justiça está cara, especula-se - quem dá mais?
O corno é manso e assim se vai cantando e rindo, o fado; claro está; para exorcizar a saudade da esperança, tricotada em etéreos pronúncios de causas maiores. Das palavras que o vento leva, apenas uma subsiste, rija como a crosta  de uma escára por cicatrizar, a crise e essa, arrisco, é mais nossa que a própria saudade, tão portuguesa que nem lhe falta o bigode. 

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